
Acordei com calma. Sem barulho do relógio e sem que ele levantasse antes de mim. Geralmente não é assim que acontece. Ele acorda, levanta e se arruma. Escuto ele andando pelo quarto, o barulho do desodorante, a luz o banheiro que acende, a água na torneira, essas coisinha do cotidiano. Depois ele se arruma, e antes de descer me chama com carinho. Então acordo, enquanto arrumo a cama e me visto, escuto os barulhos da cozinha acordando a casa. Xícaras, talheres, mesa sendo posta. Neste domingo quem acordou antes foi o sol. Bateu na janela com suas mãos luminosas e me tirou do sono. Abri os olhos, ele estava dormindo. Levantei com cuidado para não acordá-lo, o que é realmente difícil. Ele tem o sono muito leve. Peguei os pacotes de presente e coloquei um ao lado da Bea, que também dormia e outro ao lado do Théo, que dormia como um anjinho. Desci, pra fazer o café. O cheirinho do café invadia o ambiente, mesa posta, só restava esperar. Escutei a Bea fazendo uma festinha com o pai, barulho de pacote sendo aberto, risadas e surpresas. Eles desceram as escadas de pijamas e felizes. Detalhe, o pai de pijama e avental de churrasqueiro, munido de espeto, garfo e pegador de carne, tudo novinho em folha. Estávamos tomando o café juntos, quando o Théo apareceu também, numa das mão um pacote vazio, na outra uma luva cinza dessas de pegar coisas quentes e nos pés um par de chinelos de pano, muito maiores que seu pezinho... "não serviu o meu presente"... nós, entre surpresas e graças pela conclusão dele ao ver o pacote em sua cama, rimos muito. O pai, amoroso pegou o pequeno no colo, fez festa e explicou que era dia dos pais e os presentes eram pra ele. Então um sorrisinho apareceu no rosto do nosso menino... "eu pensi que era meu! Feliz dia teu papai!"